Quero brincar ao faz de conta

e amar muito, com muita força
a minha boneca de trapos.
Será que lhe vou dar vida?
Na postagem que publiquei no dia 14 de Janeiro, falei do livro "As Bruxas da Serra da Foia" (podem ver uma foto na barra lateral) e transcrevi algumas linhas.
Gosto muito da história que este livro nos conta e por isso apraz-me falar dele. Aqui ficam mais umas quantas linhas a propósito da boneca de trapos da menina do livro:
.........................................................................................Ilustração de Šárka Langa
"Eu tinha quatro anos, uma imaginação fantástica e levava sempre comigo o único brinquedo de toda a minha infância: a Mona, a minha boneca de trapos. Uma das coisas de que não me consigo lembrar é de quem é que me deu aquela boneca ou de como é que ela apareceu na minha vida. Terá sido o meu tio? Quem mais poderia ser? Até ma terem tirado, imaginava que tinha nascido comigo, porque sempre a conhecera. Dava-lhe beijinhos, acariciava-a, conversava muito com ela e aquecíamo-nos uma à outra quando fazia frio. Não me recordo de alguma vez me ter separado dela.
Quando mataram a minha Mona
O caminho para o colégio foi feito em silêncio. O meu pai e a mulher que vivia com o meu pai, no banco da frente, a minha Mona e eu, abraçadas, no banco detrás.
Num repente, sem me dar tempo para reagir, a mulher que vivia com o meu pai, arrancou--me dos braços a minha Mona e atirou-a pela janela fora.
− Está suja, cheia de piolhos, não a podes levar para o colégio, é uma vergonha. Já não és um bebé para brincar com bonecas.
Vi a minha amiga cair no chão e um carro passar-lhe por cima. Ficou toda desfeita. Era como se fosse eu que estivesse ali.
Fiquei a olhar muito tempo para a estrada para o sítio onde a minha Mona estava toda esfarrapada, os pedacitos de algodão do seu corpo esvoaçando por todo o lado, até que uma curva do caminho a escondeu.
Não chorei. Eu tinha combinado com a minha Mona que, por maior que fosse o mal que me fizessem, nunca iria chorar. E tirarem-me a minha Mona foi uma maldade muito grande. Durante muito tempo chorei para dentro, mas nunca ninguém viu as minhas lágrimas.
Aos poucos estava a perder tudo. O meu tio, a minha casa, a minha torre, a minha andorinha, o meu mano, a minha mãe e agora a minha Mona.
Sentia-me como a Gata Borralheira. A lembrança do conto de fadas fez-me bem. Eu tinha que passar por muitas provas para crescer, como me dizia o meu tio quando contava as histórias. Para crescer e um dia ganhar um palácio e um sapatinho de cristal.
À medida que o carro rolava na estrada prometi a mim própria que, quando fosse grande, havia de ajudar as meninas como eu a serem fortes e a não terem medo de nada. Eu mal sabia escrever, mas pensava que podia escrever contos que as ajudassem a entender que dentro de nós há uma fada boa que nos ajuda a derrotar todos os gigantes, monstros, lobos e bruxas."


Salvé!
Todas passamos por essas tristezas de infância que nos marcam. Lembro-me que tinha uma bébé linda de celulóide e chambre rosa com casaquinho e touca igual mas de lã...sempre que me portava mal - o que os pais acham que ´+e mal - a minha mãe retirava-me a "Zázá" do lado da minha almofada e não me deixava dormir com ela. - Ela era o meu refúgio para os medos da noite e do escuro. Hoje estou curada de tudo e consegui dizer que amo a quem me tornou vezes sem conta...infeliz.
Percebi que todos os personagens que nos fazem sofrer não são mais que isso: personagens.
Acordámos com todos/as uma forma de etar para connosco, por foema a que pudessemos ascender a outros patamares mais elevados e a mior parte dos acontecimentos que vivemos têm por base a Lei Universal da "Causa e Efeito". Ou seja e no entender da sabedoria popular: "cá se fazem...cá se pagam"! ou..."com ferro matas...com ferro serás morto"!
O que fazer' Não dar muita importância e contiuar Caminhando, consciente de que fizemos a nossa parte e que tudo se vai cumprindo...com mais ou menos dor. Só assim se alcançam as Bem Aventuranças!
Abraço nesta terra de magia e encantos mil...Sintra
MAriz
Louise L. Hay escreveu o seguinte sobre o amor:
«Há muito amor neste mundo e muito amor no meu coração, mas às vezes esqueço-me. Às vezes penso que não há amor suficiente ou que há apenas um pouco de amor, e assim acumulo o que tenho ou fico com medo de o dar. Tenho medo de o perder. Mas então percebo que quanto mais amor eu permitir que flua para o exterior, mais amor haverá dentro de mim e mais eu receberei. É ilimitado e intemporal.O amor é realmente a força curativa mais poderosa que existe. Sem amor, eu não conseguiria sobreviver de todo. O Amor cura; por isso eu dou-o e aceito-o sem limitações.»Por isso, o meu amor não tem limites.
Minha querida amiga, como me enterneceu o teu texto.
Penso que todos nós em determinada altura da nossa infancia passamos momentos marcantes, como esse que viveste.
Tenho uma história parecida que um dia te contarei.
Por agora não o posso fazer, senão começo já a chorar. E hoje já chorei que chegue.
A Mariz tem razão, todas as personagens que nos fazem sofrer são apenas isso...personagens. Mas que deixam marcas profundas, algumas dificeis de ultrapassar e que nos marcam para sempre. Falo por mim, passei por episódios que ainda hoje lembro, sem mágoa, sem rancor, porque não albergo esses sentimentos no meu coração, mas com uma certa dor e tristeza.
Bem, chega de lembranças menos felizes.
Desejo-te Emilia que o dia de hoje seja maravilhosamente feliz, e deixo-te um beijo de luz, com carinho
Isa
Adorei ler a história da sua Mona, mas li-a com tristeza.__________
Foi uma maldade muito grande que lhe fizeram, arrancam-nos a nossa imaginação, para nós tudo é real e vivemos esses problemas com muita veracidade._____________
Eu também tenho um Zé desde os 6 anos e ainda hoje me acompanha.
O meu desgosto foi com um urso castanho que o meu irmão deitou pela varanda abaixo, mas isso foi por criancice, nem se apercebeu do que fez, mas foi um grande desgosto para mim.____________
Tenho algures no blogue um poema precisamente a uma boneca de trapos, se quiser digo-lhe em que mês publiquei.
Abraço
Isabel