Maria Emilia
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Vem, dá-me a mão. O caminho é longo...Passaremos o rio passo a passo.Não, não irás só. Eu acompanho-te.Conheço bem a passagem.Já lá estive.Se ficar escuro, não tenhas medo.Eu estarei ao teu lado.Temos que dar um passo de cada vez e de vez em quando, é preciso parar.A outra margem fica longee há obstáculos pelo caminho.Há muitas pedras a saltar.Umas são mais altas do que as outras.Chamam-se:insegurança,medo,arrogância,ciúme,para começar.Vêm depoisa culpa, o desespero, a solidãoe a mais difícil de todas,o perdão.É um momento custoso,mas é preciso passar.É a única formade chegar à outra margem.Vem, dá-me a tua mão.De que tens medo? A minha mão é segura.Já apertei tantas mãos como a tua.Um dia, também a minha foi pequena e fraca.Também tive que apertara mão de alguém para me ajudara dar os primeiros passos.Atenção! Escorregaste?Não te importes, chora.Não é nenhuma vergonha.Eu compreendo.Vamos descansar um momento e respirar fundo.Quando tiveres recuperado as forças, continuaremos.Não há pressa.O que dizes? É assim mesmo!
Como são belas essas recordações
que partilhas.
Olha, estamos a meio do caminho.
Já vejo a margem ao longe.
Do outro lado o Sol brilha.
Já reparaste?
Em breve estarás sobre
a última pedra
e já vais sozinho.
Deixaste a minha mão.
Passámos o rio.
Eh! Não vás tão depressa.
Olha! Há alguém à espera,
lá em baixo.
Está só e quer atravessar.
Tenho que lá ir, precisam de mim.
Que dizes? Tens a certeza?
E porque não?
Vai. Eu espero aqui.
Tu conheces o caminho.
Já lá passaste.
Está bem, meu amigo.
Agora, é a tua vez de
ajudar alguém
a passar o rio.
ME
Maria Emilia
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.Se me amamvivo no pânicode perdero amor.Se não me amam,choro o medo denão ser capazde me deixaramar. ...............................E agora, passada a euforia dos prémios e o trabalho de os expôr como merecem, vou voltar ao tema que trazia: Assumir os nossos sentimentos e libertar os que nos fazem mal.
Maria Emilia
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Ao escolher o meu blog a Luísa de Um olhar de Perto , disse que o fazia porque as minhas palavras são gentis. E como poderiam não o ser? Quando criei o blog foi para partilhar a beleza da vida e acolher todos os que ainda não conseguem gozar dessa dádiva da natureza. Tenho procurado conhecer os blogues que estão a seguir o meu e tentar entender os objectivos de cada um. Honra lhes seja feita, de um modo geral, todos escrevem maravilhosamente bem ou deixam sobressair qualquer dom que os distingue. Desde que aqui entrei, há três meses, tenho aprendido muito com todos e muitas vezes tenho-me sentido muito pequenina perante a grandeza das almas que encontro.
Uma coisa me entristece: as pessoas escondem-se atrás de muitas máscaras. Na maior parte dos casos não lhes cohecemos o nome, a idade, alguns até trocam o sexo, outros não dizem de onde são, eu sei lá... Talvez seja melhor ser assim do que ser como eu, um livro aberto onde todos podem, se quiserem, conhecer a minha vida. Não tomem isto como crítica, mas como um desabafo. Não gosto de cortar iniciativas e estou grata à Luísa por me ter escolhido. Tenho alguma dificuldade em nomear outros blogs porque não conheço bem as pessoas. Como tenho que escolher, aqui vão as regras e os nomes:
1 - Exibir a imagem
2 - Postar o link do blog que o premiou 
3 - Publicar regras
4 - Indicar 10 blogs para receber o selo
5 - Avisar os indicados Dá trabalho ganhar um prémio, mas exercita a paciência e é uma forma de irmos conhecendo os nomes e associá-los aos blogues e respectivo endereço.
Um obrigada também a todos os que, desde o outro lado do Âtlantico, foram passando o selo até chegar a nós e ao Valdemir que lhe deu origem. Fui dar uma espreitadela no seu blog e vale mesmo a pena.
Maria Emilia
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Já tinha alinhavado a postagem para depois da Páscoa seguir o caminho da libertação dos sentimentos quando, a história da Benvinda contada no blog Alfazema me lembrou uma outra estória escrita por uma menina de nove anos e que nos fala do amor das andorinhas pelos seus filhotes: .
"A volta das andorinhas
Quando chegava, poisava no beirado a olhar para a sua casinha. Parecia desconsolada, olhava para mim, olhava para o ninho, olhava para mim, batia as asas, mexia a cabeça para um lado e para o outro, dava uma volta pelo ar, tornava a voltar. Entendíamo-nos muito bem, a minha andorinha e eu.
Antes de me ir embora daquela casa e daquela torre, eu vi duas vezes a minha andorinha construir o ninho que tinha ficado estragado com o frio, o vento e a chuva. Trabalhava muito e muito depressa. Nunca percebi como é que fazia todas aquelas piruetas no ar e não caía. Trazia palhinhas e lama no bico e juntava tudo bem apertadinho até a casota ficar toda fechadinha. Só deixava um buraquinho para entrar e sair. Depois metia-se no ninho e punha ovinhos. Eram tantos como os dedos da minha mão. Sentava-se em cima dos ovos e ficava ali a guardá-los e a aquecê-los.
Eu ia todos os dias espreitar se os ovinhos já tinham estalado porque o meu tio me contava como é que os passarinhos nasciam. Que engraçado que era ver os pequeninos a picar os ovos para sair. Quando conseguiam libertar-se, ainda traziam bocadinhos da casca agarrada à pele. Nasciam sem penas. Só com uma pequena penugem. Recordo-me de que foi nessa altura que eu fiz a ligação àquele conto de fadas: «A Bela e o Monstro». Eu achava os passaritos bonitos de feios e via o amor com que a mãe e o pai andorinhas ensinavam os filhotes a voar, com muito cuidado, para eles não caírem. Punham-lhe a comida no bico para aprenderem a comer.
Olhando para aquela família eu pensava que gostava de ser andorinha para ter todos aqueles miminhos. Acho que a minha mãe nunca me deu mimos. Pelo menos não me lembro. Safanões, sim. Muitos e quase todos os dias. Era só abrir a boca ou mexer em qualquer coisa em que ela achava que eu não devia tocar. E era quase tudo. Via-se mesmo que não gostava de mim e tinha até raiva do pouco espaço que eu ocupava.
Se eu tivesse nascido andorinha, podia voltar todos os anos à minha torre, e o resto do tempo voar para muito longe e conhecer muitas terras."
Esta história vem escrita no livro "As Bruxas da Serra da Fóia" (imagem da capa aqui ao lado)
Maria Emilia
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Respondeu ao chamamento
aspirou aromas de rosmaninho
colados ao corpo
como uma unção.
Deixou cair
o manto da tristeza
alma despida
hesitou uns passitos
confiante
começou a andar.
Maria Emilia
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Não tinha pensado fazer esta postagem, mas a sensibilidade da Lisa do Ser Cristal ao perceber o quanto eu gostava de jarros, convidou-me a fazê-lo. Aqui deixo um jarro do meu jardim que fui fotografar agora mesmo para vós. O jarro, também chamado de "Lírio da Paz", brota por todo o lado onde haja água, erguendo-se em toda a sua pureza.
Dar a nossa amizade, os nossos dons e a nossa esperança, é fazer da vida um milagre.
Uma Santa Páscoa para todos os amigos que tenho encontrado aqui.