
- De onde vim?
- O que faço onde estou?
- Para onde vou?
- Quem penso que sou?
Haverá algum tratado, qualquer fórmula que dê resposta a estas perguntas? Será possível encontrá-la observando no firmamento as miríade de astros e estrelas que o povoam? Ou então perguntar ao mar de onde vem e para onde vai? Todavia, o absoluto que há em nós conhece a eternidade do momento. Sabe que o agora é o eco do passado e a utopia do devir. Não terá cada um de nós desejos de infinito? Não nos teremos já dado conta que o poder aprisionado em nós é livre de voar para onde quer? Se em nossa mente for necessário dividir esse absoluto, deixemos que cada pedaço abrace o outro como se fossem um só
"Não sei quem sou, que alma tenho.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
Fernando Pessoa


Quando fiz o antigo 7ºano do Curso Complementar dos Liceus, obrigaram-me a estudar Fernando Pessoa. Confesso que naquela altura, não gostei dessa tarefa, e, por causa deste génio poeta, a minha nota a Português ficou abaixo das minhas expectativas. Hoje, adoro ler Fernando Pessoa,e, sobretudo, ler em voz alta uma poesia fabulosa intitulada "Mensagem"! Esta mostra-nos o Fernando Pessoa profético, que profetiza sobre o destino de Portugal...E o que ele profetizou, segundo os mais entendidos na matéria, não foi muito bom para este País que eu tanto amo, mas, que, ultimamente, tem sido tão mal tratado pelos nossos governantes. Estes,julgando-se mais "inteligentes" que nós,têm-se portado muito mal...!Assim, não irei falar mais nos governantes, porque eles envergonham-me, irei terminar a minha intervenção com uma passagem da autoria deste Poeta Fabuloso:«Não sou nada.Nunca serei nada.Não posso querer nada.À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.»(Álvaro de Campos). Um abraço para si Maria Emilia da Liliana.